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Setembro/2014 - edição 182
Lições da Copa: benchmarking dentro e fora do futebol

Hélio Zylberstajn – FEA/USP

A Copa do Mundo foi um evento marcante, que deixou diversas mensagens. Na dimensão política, como se previa, alguns personagens fizeram apostas para “faturar”, associando seus nomes à Copa. Do ponto de vista de gestão pública, igualmente, ocorreu exatamente o que se previa: obras terminadas em cima da hora, obras incompletas e algumas até simplesmente abandonadas. Na esfera esportiva, todos concordam que venceu o melhor, a Alemanha. Um time jovem e competente, com muitos craques, que em alguns momentos até lembrou aquelas saudosas seleções brasileiras da época em que este era o país do futebol. Mas uma das mensagens mais importantes deixada pela Copa talvez tenha sido endereçada ao mundo do trabalho. O time alemão simplesmente mostrou como um bom modelo de relações de trabalho ajuda a alcançar eficiência, produtividade e competitividade.

Essa história começa há mais ou menos 15 anos, quando o futebol germânico estava por baixo no cenário internacional. O nível de seus jogadores era inferior ao dos países dominantes neste esporte e sua seleção não conseguia brilhar nos torneios internacionais. Os dirigentes chegaram facilmente ao diagnóstico: a baixa qualidade dos jogadores era a fraqueza do futebol alemão. O país precisava investir na formação de uma geração de futebolistas talentosos e qualificados para recuperar o prestígio antigo. Como fazer isso? Onde procurar inspiração e modelos? A resposta estava muito próxima. Estava na própria Alemanha.

A Alemanha tem um sistema invejável de formação de mão-de-obra. Quando cursam a escola secundária – equivalente ao nosso ensino médio – os jovens alemães escolhem entre o currículo acadêmico e o currículo técnico. Os que escolhem o primeiro currículo se encaminham para a universidade e o mundo acadêmico. Os que escolhem o ensino técnico recebem conteúdos teóricos nas salas de aula das escolas e ao mesmo tempo, recebem treinamento em empresas, para completar o aprendizado e a qualificação. Neste modelo, as escolas não precisam investir em máquinas e equipamentos, pois seus alunos recebem o treinamento prático utilizando as máquinas das empresas. É um sistema de ensino que automaticamente acompanha a evolução tecnológica, na medida em que as empresas substituem máquinas antigas por máquinas modernas. O estado e suas escolas não precisam se preocupar com esta parte do aprendizado e assim, poupa-se uma quantidade apreciável de recursos.

As empresas se beneficiam porque ensinam aos seus futuros empregados o conteúdo exatamente necessário para operar seus equipamentos e se familiarizar com seus processos. Os trabalhadores ganham porque recebem ensino de alto nível e asseguram seus empregos nas empresas que os acolhem. O Estado cumpre sua função de oferecer educação básica e de facilitar a transição da escola para o trabalho aos jovens. É um sistema tripartite, planejado e permanentemente avaliado pelo Estado, pelas empresas e pelos sindicatos. Nada menos que 51% das empresas alemãs participam do sistema e se beneficiam dele. O resultado é conhecido no mundo inteiro: a mão-de-obra alemã é extremamente competente, produtiva e capaz de operar sistemas altamente sofisticados, produzindo bens e serviços com muita qualidade e competitividade.

Os dirigentes do futebol alemão decidiram usar este modelo para formar novos atletas e renovar seus times. Os clubes do país fizeram convênios e parcerias com escolas secundárias, e ofereceram suas instalações, seus equipamentos e seus instrutores para treinar as crianças e os jovens. De manhã, sala de aula. À tarde, campo, bola, preparação física e fundamentos técnicos. Hoje, a Alemanha prepara seus futebolistas da mesma maneira que qualifica e treina seus trabalhadores. O resultado começou já a aparecer em 2010, na África do Sul, quando a Alemanha foi vice-campeã, perdendo a final para a então poderosa Espanha. No Brasil, em 2012, não podia ser diferente do que vimos. Venceu no futebol o modelo de planejamento e qualificação que é vencedor na produção de bens e serviços.

Se o Brasil quiser recuperar seu prestígio no futebol, terá que se reinventar e o modelo alemão pode ser um caminho. Mas, mais importante, se o Brasil quiser se tornar uma economia competitiva, terá que formar e qualificar sua mão-de-obra. Nesse campo, sim, mais do que nunca, o modelo alemão deveria ser o nosso benchmarking. E cabe a pergunta: o que precisa ser ajustado no Direito do Trabalho brasileiro para dar segurança jurídica a esta escolha?

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