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Outubro/2014 - edição 183
Cenários para o desemprego em 2015

Hélio Zylberstajn – FEA/USP

Os observadores verificam que está havendo um “enxugamento” no mercado de trabalho. A oferta de trabalho (os que estão ocupados mais os que estão procurando emprego) tem crescido a taxas muito pequenas, ou mesmo tem diminuído, dependendo do recorte demográfico e da época em que a observação é feita. Por outro lado, a demanda de trabalho (as vagas existentes) tem crescido ou pelo menos não tem diminuído. O resultado é que a taxa de desemprego ainda não começou a cair, embora o nível de atividade da economia esteja estacionado. Quais são as explicações para a surpreendentemente baixa taxa de desemprego? A seguir, apresentam-se algumas delas. As duas primeiras são baseadas no lado da demanda de trabalho. As demais, no lado da oferta.

(a) Empresas demoram para demitir. Esta explicação, proposta há mais ou menos um ano, teve alguma aceitação, por alguns meses. Mas a persistência da estagnação na indústria a enfraqueceu. É verdade que muitas empresas tentam preservar seus quadros (capital humano) nos primeiros sinais de desaquecimento, para não incorrer em custos de demissão, porque em algum momento a atividade pode se reaquecer e haverá custos de contratação. Mas a demora nos sinais de reativação acaba por derrubar a explicação, pois o custo de retenção se torna muito alto.

(b) Economia mais trabalho-intensiva. A Indústria, que concentra atividades com muito valor adicionado (alta produtividade do trabalho), responde por uma proporção de aproximadamente 15% do total de vagas, enquanto o Comércio e os Serviços, atividades que criam menos valor por trabalhador, representam algo como 70%. Quando a Indústria encolhe e Comércio e Serviços se expandem, a economia se torna mais intensiva em trabalho. Isso explica porque o emprego pode crescer mesmo que o crescimento do PIB seja pequeno ou até negativo.

(c) Demografia. A taxa de crescimento da população brasileira é hoje menor que 1%. Isso significa que o fluxo de novos trabalhadores que chegam ao mercado de trabalho é menor do que há 15 ou 20 anos. O ritmo de crescimento do “estoque” de trabalhadores é bastante lento no Brasil de hoje, contrariamente ao que se verificava no passado, quando tínhamos um excesso estrutural e histórico de oferta de trabalho.

(d) Redução da taxa de atividade dos jovens. Há aproximadamente 2 anos, tem-se observado que alguns grupos demográficos mudaram seu comportamento em relação ao mercado de trabalho. Isso é particularmente verdadeiro para os jovens na faixa de 15 a 24 anos, que hoje ficam mais tempo na escola, sem trabalhar. Aparentemente, a causa da retração na taxa de atividade dos jovens está relacionada ao aumento de renda da família. A formalização e a maior inclusão de mulheres parecem ter dado às famílias a segurança de reter o ingresso de seus filhos no mercado de trabalho para investir na qualificação que a escola proporciona. No longo prazo, esta tendência é altamente positiva. No curto prazo, significa que trabalho que antes era ofertado agora deixa de ser.

 (e) Redução da taxa de atividade dos maduros e idosos. A faixa etária que apresenta a maior taxa de crescimento é a dos que têm 50 anos ou mais. Ao mesmo tempo que a proporção de brasileiros nesta faixa cresce, sua disponibilidade para o trabalho diminui. A queda nas suas taxas de participação tende a ser explicada pela concessão de aposentadorias e pelo crescimento do valor real dos benefícios.

Estas explicações refletem as transformações que estão ocorrendo na Taxa de atividade e na População em Idade Ativa – PIA. De um lado, a PIA tem evoluído lentamente e de outro a parcela da PIA que participa do mercado tem oscilado ao longo do tempo. Nos últimos dois anos, aproximadamente, houve uma queda acentuada na taxa de atividade, ou seja, na proporção de indivíduos pertencentes à PIA que estão ocupados ou procurando emprego. A queda recente na Taxa de atividade é particularmente intensa entre os jovens (15 a 17 e 18 a 24) e entre os idosos (50 anos e mais).

Sensibilidade da taxa de desemprego à Taxa de atividade

O cenário futuro dependerá do comportamento da demanda de trabalho, ou seja, da recuperação da economia. Com uma recuperação, provavelmente o mercado de trabalho continuará apertado, com taxa de desemprego abaixo do nível de 5%. Mas, se a atividade econômica se reduzir, mais pessoas procurarão emprego. Isso ocorrerá porque alguns dos membros das famílias poderão perder seus empregos e/ou a renda real poderá se reduzir e, nestas condições, membros secundários da família (jovens e idosos) se apresentarão no mercado para ajudar a recompor a renda familiar. Neste cenário, a Taxa de desemprego deverá crescer.

Para simular a sensibilidade da Taxa de desemprego à decisão das pessoas de participar ou não do mercado de trabalho, aplicamos a Taxa de Atividade de agosto/2013 na População em Idade Ativa de agosto/2014. Seriam aproximadamente 24,8 milhões e não os atuais 24,3 milhões de indivíduos ativos. Haveria assim cerca de 454 mil trabalhadores a mais no mercado (linha 4). Esse contingente, no limite, levaria a taxa de desemprego para 6,8% (contra os atuais 5,0%).
Continuando a tendência de queda na participação, nos últimos 12 meses, muitos trabalhadores abandonaram o mercado de trabalho. Se tivessem permanecido no mercado, a taxa de desemprego seria maior, pois o número de empregos é praticamente o mesmo há um ano.

Na verdade, a taxa de desemprego seria um pouco menor, porque a maior quantidade de pessoas à procura de emprego derrubaria os salários e induziria as empresas a contratar mais. A taxa de 6,8% é o limite superior da simulação. O valor efetivo estaria dentro do intervalo 5,0% a 6,8%, provavelmente mais próximo do limite superior do que do inferior.

Exercício de simulação com base na PME/IBGE: Qual seria a taxa de desemprego em agosto/2014 se as pessoas não tivessem abandonado o mercado de trabalho? (Obs: os valores entre aspas são o resultado da simulação).

Conclusão: nos últimos anos, o Brasil assistiu a dois movimentos no mercado de trabalho: expansão do emprego e retração na taxa de atividade dos trabalhadores. Caso a atividade econômica não reaja nos próximos meses, poderá haver uma reversão nestes dois movimentos: o emprego poderá se retrair e as pessoas que abandonaram o mercado de trabalho poderão retornar. Neste cenário, a taxa de desemprego poderá crescer significativamente.








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