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Novembro/Dezembro 2014 - edição 184
Direito Desportivo

Copa no Catar, um escândalo padrão FIFA

Jean Nicolau

Para o comitê de ética da FIFA, o processo de escolha das sedes das duas próximas Copas do Mundo  (Rússia-2018 e Catar-2022) correu dentro da normalidade.

Uma conclusão que contraria, frontalmente, ninguém menos do que Michel Garcia, o autor do relatório de 430 páginas encomendado no ano passado, pela própria entidade, para investigar as suspeitas de corrupção relacionadas à atribuição dos próximos mundiais.

Horas depois de o presidente da câmara de julgamentos da comissão de ética da FIFA, Hans Joachim Eckert, ter dado o caso por encerrado, Michel Garcia, que preside a câmara de instrução daquela comissão, veio a público questionar tal decisão. O ex-agente do FBI anunciou, inclusive, sua intenção de apresentar um recurso perante a Câmara de Apelações da FIFA.

Garcia foi desde o início, vale dizer, favorável à publicação integral de seu relatório. Mas a FIFA recusou-se a fazê-lo por considerar tal hipótese, para retomar a expressão empregada por Eckert, “juridicamente impossível”.

O autor do relatório ainda afirmou ao jornal inglês Sunday Times dispor de novas provas comprometedoras. Mohamed Bin Hammam, grande incentivador da candidatura catariana que, após seu voto, foi banido para sempre da entidade por corrupção, afirmou ter votado na candidatura russa para 2018 com um propósito específico: apoiar o país europeu que traria o maior numero de votos para o Catar.

O evidente descompasso entre os fatos apresentados e a posição adotada pela FIFA pode ter, enfim, provocado uma reação contundente por parte de pesos pesados europeus.

Como o presidente da liga profissional alemã, Reinhard Rauball, que afirmou à revista Kickerser favorável à desfiliação da UEFA caso a FIFA não volte atrás com relação às conclusões tiradas do relatório.

Não bastassem tais elementos, a história ganhou um novo capítulo nas últimas horas. Phaedra al-Majid, uma das 70 pessoas ouvidas por Michel Garcia durante a elaboração do dossiê, afirmou ser objeto de ameaças contundentes desde a revelação de seu nome, até então mantido em sigilo. A ex-diretora de comunicação da candidatura catariana foi citada no suposto “resumo” do relatório de Garcia divulgado pelo… presidente do comitê de ética (justamente a mesma pessoa que, dias atrás, estimara ser impossível a publicação da integralidade do documento por conta da preservação do anonimato dos depoentes). Fato é que, desde a divulgação de seu nome, Al-Majid e sua família passaram a dispor de proteção do FBI.

Uma análise judiciosa do recurso a ser interposto por Michael Garcia perante a comissão de apelação da FIFA, seguida de uma possível reviravolta com relação à interpretação do relatório e, consequentemente, da atribuição dos próximos mundiais: esta parece ser a única maneira de entidade presidida por Joseph Blatter readquirir parte de sua credibilidade.

Caso contrário, seria tempo de a UEFA, com o necessário respaldo das principais ligas da Europa continental, bem como de governos nacionais e sobretudo da União Europeia, buscar alternativas com vistas à transformação da atual estrutura de governança do futebol mundial.
Uma organização intergovernamental voltada para a gestão da modalidade é um sonho bastante distante, mas não impossível.

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