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Maio/Junho 2015 - edição 188
Direito Desportivo

Ficou barato para o Boca Juniors

Jean Nicolau

Após o escândalo ocorrido no intervalo do Superclássico argentino, quando um torcedor do Boca Juniors lançou substância química contra os jogadores do River Plate, a questão era saber qual seria a postura da Conmebol em relação a mais uma partida sul-americana inacabada por conta da violência.

Assim como diversas outras normas disciplinares esportivas, o código da Conmebol responsabiliza os clubes pelos atos de seus torcedores. As agremiações envolvidas nas competições continentais podem, portanto, ser punidas pela entidade de cúpula do futebol sul-americano ainda que não tenham contribuído diretamente para a incidência de eventos impróprios.

Porém, no episódio em questão, ainda que o código da Conmebol não responsabilizasse objetivamente os clubes pelos atos de seus fãs, não haveria como poupar o mandante de punição: afinal, é conduta no mínimo negligente não impedir que um torcedor ingresse em um estádio munido de substância química e se dirija ao túnel por onde passam os jogadores rivais. A situação é ainda mais grave quando se sabe que o infrator em questão é torcedor conhecido no clube da Boca, conhecido pela convivência histórica de seus dirigentes com as organizadas.

Esperava-se que os órgãos judicantes da Conmebol não levassem em conta o inegável impacto político, econômico e esportivo que uma decisão rigorosa poderia provocar. Mas não foi o que ocorreu: a decisão adotada foi, por assim dizer, conservadora, ao excluir o Boca Juniors apenas da atual edição da Libertadores, além de determinar que o clube dispute quatro partidas em casa com os portões fechados e quatro partidas como visitante sem o deslocamento de sua torcida.

Os tribunais de disciplina da Conmebol tinham, no entanto, ampla margem de manobra para decidir, e poderia ter adotado medidas mais drásticas como a exclusão do Boca de competições futuras e o fechamento da Bombonera para partidas internacionais.

Além de perfeitamente coerentes com o previsto pelo código de disciplina da entidade, uma decisão como tal teria representado uma mensagem clara aos atores do futebol sul-americano - e também à FIFA, que manifestou descontentamento com o desfecho do caso - de que há um real desejo de mudança no quadro atual do futebol sul-americano.

Após o Superclássico inacabado, a credibilidade do futebol sul-americano parece, contudo, ainda mais abalada.

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