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Janeiro/2014 - edição 175
Onde recrutar CEOs: no MBA ou nas Forças Armadas?
Hélio Zylberstajn – FEA/USP
 
Neste primeiro texto do ano, vou abordar um assunto diferente. É que caiu em minhas mãos um artigo intrigante e decidi dividi-lo, resumindo-o para os leitores. O texto, muito recente, acabou de ser disponibilizado pelo NBER e seus autores são Efraim Benmelech e Carola Frydman. O título é “Military CEOS”. Os autores discutem a questão da influência das características pessoais dos CEOs no desempenho e na resiliência das empresas que comandam. Estão particularmente interessados em uma característica específica: querem saber se CEOs que passaram pelas forças armadas são diferentes dos que passaram por treinamento em programas de mestrado em administração de empresas (os famosos “MBAs”). 
 
Os autores mostram que a literatura genérica sobre o tema documenta abundantemente a influência das características pessoais do principal executivo sobre o desempenho das organizações. Mostram também, que em relação à característica específica do treinamento militar, a literatura não é conclusiva. A literatura da Sociologia e do Comportamento Organizacional sugere que ex-militares adquirem habilidades não ensinadas em outros ambientes. São provavelmente mais aptos a tomar decisões difíceis em períodos de dificuldade na economia. Seu treinamento enfatiza valores e comportamentos como dever, dedicação, autossacrifício, ética, lealdade, além de estimular o exercício da liderança. Quando o ex-militar se transforma em executivo, estas qualidades o levam a colocar o interesse da empresa acima do seu interesse pessoal e a assumir a liderança da organização. Por outro lado, a literatura da Psicologia sugere que ex-militares são agressivos, superconfiantes e tendem a assumir riscos exagerados, características obviamente que não os qualificam para altos cargos na direção das empresas. Há portanto um conflito teórico a respeito do tema. Daí, a importância da questão da pesquisa: empresas dirigidas por ex-militares são melhores que empresas dirigidas por egressos do MBA?
 
Utilizando metodologia econométrica e rigorosos controles estatísticos, Benmelech e Frydman compararam CEOs treinados em MBAs com os de origem militar. Verificaram que empresas dirigidas por veteranos do serviço militar têm comportamento financeiro mais conservador e investem menos em Pesquisa e Desenvolvimento. Mais ainda: CEOs com background militar são menos propensos a se envolver em atividades fraudulentas e têm melhor desempenho em períodos de dificuldades na economia. As correlações são estatisticamente significativas, mas os autores alertam que não podem garantir causação. Ou seja, CEOs ex-militares estão associados a boas características das empresas, mas os testes estatísticos não garantem que eles são as causas. É possível que as empresas éticas, idôneas e conservadoras, ou mesmo empresas em crise, procurem justamente CEOs com passado militar, sabendo que são os mais indicados, e ao mesmo tempo, que os ex-militares procurem empresas com estas características, pelas quais têm maior afinidade. Os economistas chamam isso de dupla causação. De qualquer forma, os autores comprovaram que empresas dirigidas por CEOs com experiência militar são diferentes (para melhor) das empresas dirigidas por egressos de programas de MBA.
 
De acordo com Benmelech e Frydman, a proporção de CEOs veteranos do serviço militar tem caído continuamente nos Estados Unidos. Em 1980, eram 59% do total de CEOs e hoje são apenas 6%. Diante desses números, levantam a hipótese de que o crescimento da alavancagem financeira das empresas, do risco exagerado, da visão de curto prazo e mesmo das práticas fraudulentas pode estar associado à escassez das qualidades éticas e prudentes que os CEOs treinados no serviço militar costumavam trazer ao mundo corporativo. Concluem dizendo que as empresas americanas deveriam reexaminar a escolha de egressos de MBA para dirigir seus negócios.
 
O que isso tudo teria a ver com o Brasil? E com o Direito do Trabalho? Penso que o artigo de Benmelech e Frydman aborda um tema relevante e pouco explorado entre nós e, assim, sugere uma linha de investigação promissora. Empresas que escolhem mal seus líderes talvez deixem de lado aspectos éticos, assumam riscos desnecessários e introduzam ineficiências no mercado. Tudo isso causa insegurança entre seus empregados, agudiza o conflito trabalhista e leva mais litígio à Justiça do Trabalho.
 
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