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Fevereiro/2013 - edição 164
Direito Desportivo

Para punir Grêmio por quase tragédia na Arena, novo tribunal sul-americano funciona com moderação.

Jean Nicolau

Quatro dias depois da tragédia de Santa Maria, por pouco o Rio Grande do Sul não foi palco de outro incidente com vítimas fatais por responsabilidade de autoridades e entidades privadas.

O tribunal debutante
Assim como em todo incidente ocorrido durante competição internacional, a justiça desportiva brasileira não tinha competência para julgar o caso. Coube, portanto, ao novo tribunal disciplinar da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) avaliar a responsabilidade dos envolvidos no rompimento de alambrado que feriu, sem gravidade, sete torcedores gremistas.

Uma queda evitável
Em seu primeiro jogo oficial, a Arena Grêmio comemorou aos 16 minutos do segundo tempo o gol de Elano que levaria aos pênaltis a disputa contra a LDU (EQU) por uma vaga na fase de grupos da Libertadores (ao final, 5 a 4 para os gaúchos). Assim como faziam no Olímpico, os torcedores situados nas populares do novo estádio  formaram a tradicional avalanche, correndo arquibancada abaixo em direção ao gramado. Com a pressão da massa, o a grade do setor cedeu e provocou a queda de torcedores no aparentemente obsoleto fosso que separa o campo das tribunas – raros são os estádios erguidos recentemente que se valem deste artifício para reduzir o risco de invasões.

As falhas técnicas
Fosso à parte, fato é que o projeto original da nova arena foi alterado por pressão de torcedores e até dirigentes gremistas, preocupados em preservar o costume, historicamente argentino, de correr em direção ao alambrado: na contramão de práticas modernas, a Grêmio Empreendimentos entrou em acordo com a Brigada Militar do Rio Grande do Sul para… evitar que se instalassem cadeiras no setor ocupado sobretudo pela principal uniformizada do tricolor gaúcho. Objetivo: menos conforto, mais 5.000 lugares e, supostamente, mais emoção.

Se por si só a avalanche já não é hábito dos mais prudentes, a frágil estrutura do estádio estimado em R$ 540 milhões contribuiu com o ocorrido ao mostrar-se insuficiente para garantir minimamente a segurança do torcedor. E Brigada Militar, que antes cedeu à pressão do Grêmio e agora volta a pedir o fim da avalanche, foi nitidamente negligente.
Uma punição esportiva convincente?

Fosse uma competição nacional, a Arena seria temporariamente interditada e o clube gaúcho punido pela justiça desportiva com multa de R$ 100 a R$ 100.000 (artigo 211 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva – CBJD).

Inaugurado em janeiro deste ano com a missão de regrar (e, por que não, moralizar) o futebol sul-americano, o tribunal disciplinar da Conmebol impôs ao Grêmio, no entanto, sanções tão clementes quanto as previstas pelo CBJD.

O tricolor gaucho deverá (i) pagar multa de R$ 35 mil dólares; (ii) disputar a próxima partida da Copa Libertadores com as arquibancadas populares de seu estádio fechadas e (iii) jogar uma próxima partida de competição sul-americana com portões fechados, caso incidentes similares voltem a ocorrer nos próximos dois anos.
Em outros termos, as penalidades resumem-se, na prática, a multa de R$ 35 mil e fechamento de apenas um setor do novo estádio.
 
Antes tarde do que nunca
Durante visita do ministro do Esporte Aldo Rebelo à Arena, Fábio Koff, o presidente do Grêmio, sinalizou com a instalação de cadeiras no setor do incidente: seria o fim da famigerada avalanche.

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