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Boletim 209
Quem está pagando a conta?
Hélio Zylberstajn – Professor sênior da FEA/USP e Coordenador do Projeto Salariômetro da Fipe
 
Neste pequeno texto, vamos utilizar a Pnad Contínua do IBGE para analisar a evolução do mercado de trabalho nos últimos 7 anos (que é o período coberto pela pesquisa).
 
Vamos começar comparando o início e o fim do período, apresentados na Tabela 1 a seguir.
 
Quatro fatos podem ser destacados: 
  • A quantidade de pessoas ocupadas cresceu apenas 5,85%, passando de 88 para 93 milhões (Coluna 1).
  • O rendimento médio do trabalho no Brasil é muito pequeno e cresceu apenas 2,68% no período, atingindo o valor de R$ 2.181, equivalentes a 2,2 Salários Mínimos de 2018 (R$ 954) (Coluna 2).
  • A combinação do crescimento de pessoas ocupadas e do rendimento médio produziu um crescimento na massa de rendimentos de 12,37%, chegando a R$ 203 bilhões mensais (Coluna 3).
  • O crescimento dos três indicadores não foi suficiente, porém, para absorver o fluxo de novos trabalhadores que chegaram ao mercado de trabalho no período e, consequentemente, a taxa de desocupação (taxa de desemprego) aumentou nada menos que 46,84%, passando de 7,9% para 11,6%.
 
Tabela 1: Rendimento médio do trabalho, massa de rendimentos e taxa de desocupação
Pnad/IBGE – 2012 a 2018
 
Períodos Pessoas ocupadas (milhões)
 
(1)
Rendimento médio do trabalho (R$)
 
(2)
Massa de rendimentos do trabalho (R$ bilhões)
(3)
Taxa de desocupação
 
 
(4)
2012 jan/fev/mar 88,0 2.124 181 7,9%
2018 out/nov/dez 93,0 2.181 203 11,6%
Variação no período 5,85% 2,68% 12,37% 46,84%
Variação média anual 0,81% 0,39% 1,69% 5,78%
Variação média mensal 0,07% 0,03% 0,14% 0,47%
Obs.: valores corrigidos e expressos em Reais de novembro/2018
 

Depois de olhar para o início e o fim do período, podemos agora observar o que ocorreu ao longo dos 7 anos.
 
Para isso, dispomos do Gráfico 2, que mostra a evolução da população ocupada (curva verde), do rendimento médio do trabalho (curva azul) e da massa de rendimentos (curva vermelha).
 
Para facilitar a observação e a comparação, os indicadores foram transformados em números-índice, todos com o mesmo valor inicial igual a 100, no primeiro trimestre de 2012.
 
Pode-se verificar facilmente que a população ocupada e o rendimento médio evoluem em trajetórias muito próximas, sucedendo períodos de crescimento e redução, alternadamente. As duas curvas terminam o período muito próximas.
 
Por outro lado, a curva da massa de rendimento evolui em patamar mais elevado e também apresenta períodos de crescimento e de declínio, mas está sempre bastante descolada das outras duas.



 

Vamos agora acrescentar ao Gráfico 1 a curva da Taxa de Desocupação, no Gráfico 2.
 
Novamente, todas as curvas são representadas por números-índice com valor inicial idêntico e igual a 100 no primeiro trimestre de 2012.
 
Para acomodar a nova curva, que tem uma variação mais ampla que as anteriores, foi preciso modificar a escala dos eixos. Isso permite observar claramente que as três curvas anteriores evoluíram modestamente ao longo do período e agora quase se confundem visualmente.
 
A curva da desocupação, porém, se destaca das demais, pois o desemprego cresceu quase 50% no período, como vimos na Tabela 1.

  
 
 
O Gráfico 2 mostra que nos 7 anos observados houve três períodos distintos no mercado de trabalho.
 
Primeiro, até o final de 2013, o emprego ainda crescia e a taxa de desemprego diminuía. Foi o final da fase de expansão econômica do período Lula-Dilma.
 
Em seguida, vieram os duros anos da recessão, nos quais houve uma explosão nas taxas de desemprego. Esta fase durou até o final de 2017.
 
Finalmente, tivemos então a queda gradual no desemprego, que perdura até este momento.
 
O mercado de trabalho se ajustou sem reduzir a renda dos trabalhadores. Ao contrário, proporcionou, no todo, aumentos reais aos trabalhadores ocupados. Proporcionou também um pequeno crescimento líquido no emprego.
 
Enquanto isso ocorria, porém, houve um ajuste paralelo de maior magnitude e muito perverso: o crescimento enorme do desemprego. São os desempregados que estão pagando a maior parte da conta.
São Paulo: Tel: +55 11 2175-9000 - Fax: +55 11 3256-7401
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