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Boletim 207
Inserções dicotômicas no mercado de trabalho
Hélio Zylberstajn – Professor sênior da FEA/USP e Coordenador do Projeto Salariômetro da Fipe
 
Este texto examina a evolução recente do mercado de trabalho segundo dois aspectos: a quantidade de pessoas ocupadas e as formas de inserção dessas pessoas no mercado. Utiliza os dados da Pnad Contínua Trimestral, pesquisa que o IBGE realiza em uma amostra de domicílios estatisticamente representativa da população do país. Cobre o período de 6 anos e 9 meses, desde o primeiro trimestre de 2012 até o terceiro trimestre de 2018, que é exatamente o período de existência da Pnad Contínua.
 
População ocupada

O Gráfico 1 apresenta a evolução da quantidade de pessoas ocupadas ao longo do período examinado e revela primeiramente a existência de forte sazonalidade nesta variável.
 
Em todos os anos cobertos, a quantidade de ocupados atinge um pico anual no primeiro trimestre e cai para um valor anual mínimo no trimestre seguinte. Isso se repete tanto nos anos em que a população ocupada cresce quanto nos anos em que decresce.
 
Em segundo lugar, o Gráfico 1 mostra que a série começa com 88 milhões de pessoas ocupadas no primeiro trimestre de 2012, e cresce até atingir o valor máximo de 93 milhões, três anos depois, no primeiro trimestre de 2015.
 
Naqueles três anos o desempenho do mercado de trabalho foi excelente, pois o país criou nada menos que 5 milhões de postos de trabalho. Infelizmente, a partir desse ponto, a profunda recessão destruiu 4 milhões de empregos em 4 anos.
 
A partir do segundo trimestre de 2017, começa um novo ciclo de crescimento do emprego, que se sustenta até hoje. No terceiro trimestre de 2018, o país atingiu a marca de 91 milhões de postos de trabalho ocupados. O resultado final no período foi um crescimento de apenas 3 milhões de empregos, marca pouco expressiva para 6 anos.


 
 





















Formas de inserção no mercado de trabalho

A Pnad permite examinar como os trabalhadores se inserem no mercado, por meio da variável “posição na ocupação”. Os trabalhadores podem se inserir como empregados com carteira, empregados sem carteira, funcionários públicos estatutários, funcionários públicos com carteira, funcionários públicos sem carteira, militares, trabalhadores por conta própria, empregadores e trabalhadores auxiliares da família.
 
Para facilitar a análise, essas categorias foram agrupadas em duas formas de inserção: (a) empregados formais (que inclui os empregados com carteira, os funcionários públicos com carteira, os funcionários públicos estatutários e os militares) e (b) empregados informais e não-empregados (que inclui os empregados sem carteira, os empregadores, os conta-própria e os trabalhadores familiares).
 
O Gráfico 2 mostra que há dois períodos distintos. No primeiro, que dura até o terceiro trimestre de 2014, a categoria de empregados formais cresce e a de empregados informais e não-empregados diminui. A partir daquele ponto, a tendência se inverte, e o crescimento desta última categoria perdura até hoje.
 
Mesmo nos trimestres mais recentes, nos quais a população ocupada voltou a crescer (como mostrado no Gráfico 1), o crescimento se dá na categoria de empregados informais e não-empregados.

 



Este pequeno texto indica duas conclusões. Primeiro, o desempenho do mercado de trabalho tem sido muito pobre, claramente, em função da recessão. Segundo, mais preocupante ainda, é que as formas não tradicionais de contratação de trabalho constituem o formato predominante dos novos postos de trabalho, neste momento.
 
Fica a pergunta: essa tendência veio para ficar, ou desaparecerá com o crescimento econômico futuro?

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