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Direito Desportivo
A indiscutível unidade da seleção campeã mundial 
Jean Nicolau
 
 
Não foram poucos os grupos de redes sociais, blogs, portais de internet e até mesmo veículos de imprensa tradicionais que ressaltaram o multiculturalismo da seleção francesa campeã mundial.
 
Muitas das iniciativas soaram, contudo, menos como uma ode à diversidade do que como uma forma de deslegitimar, senão desqualificar, o título francês.
 
Uma matéria veiculada pelo Corriere della Sera foi bem além, a ponto de ser tachada de racista pela imprensa francesa: o jornal mais vendido da Itália descreveu os Bleus como “uma equipe de campeões africanos associados a ótimos jogadores brancos”.
 
Apesar de bem menos incisiva, também causou polêmica uma publicação feita via twitter pelo portal Sport, que relacionava os nomes dos campeões às bandeiras dos países de seus ancestrais. O lateral Benjamin Mendy reagiu à postagem e, além de substituir todas as outras bandeiras pela francesa, acrescentou os dizeres: “todos juntos unidos pela França”.
 
Esporte de competição e identidade nacional estão relacionados desde o final do século XIX, quando as seleções representativas das diversas nações passaram a se enfrentar. Surgiu, então, a questão da legitimidade para atuar sob as cores deste ou daquele país. Ante a insuficiência das regras comuns de nacionalidade (afinal, existem mais nações esportivas do que Estados nacionais), as federações internacionais fixaram regras próprias para determinar quem pode atuar por esta ou aquela seleção.
 
Se a maior preocupação sempre foi a preservação da integridade das competições, o que sempre se pretendeu, na prática, é que existam vínculos efetivos (e por que não afetivos) entre os atletas e as nações que eles representam.
 
Dito isso, não há nada a indicar que, a despeito de suas múltiplas origens, os campeões mundiais tenham com a França relações menos intensas do que têm com sua seleção, por exemplo: os jogadores tunisianos, dos quais oito nasceram, justamente, em território francês.
 
Os fatos parecem demonstrar justamente o contrário: mesmo em tempos de livre circulação dentro da União Europeia, 21 dos 23 nacionais convocados por Didier Deschamps foram esportivamente formados em território francês. Oito deles atuaram por clubes da região parisiense.
 
Nesses termos, colocar em xeque a identidade francesa do elenco vitorioso é o mesmo que contestar, por exemplo, a massiva participação de descendentes próximos de europeus nas conquistas de Uruguai, Argentina e até mesmo Brasil (Bellini, De Sordi, Zagallo e Mazzola, que mais tarde atuaria pela Itália, servem como exemplos).
 
O debate de cunho racista suscitado após a Copa da Rússia deveria dar lugar a reflexões que, embora também estejam relacionadas à nacionalidade, são verdadeiramente relevantes ao esporte.
 
É tempo de buscar, por exemplo, soluções para minimizar os danos à integridade das competições causados pelas chamadas naturalizações fraudulentas com finalidade esportiva.
 
Na prática, cabe às federações internacionais fechar o cerco para práticas motivadas por interesses pessoais (dinheiro, projeção profissional) ou por políticas estatais (Catar, Azerbaijão) que culminam com a naturalização de atletas para atuar por seleções com as quais têm vínculos pouco efetivos.

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