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Boletim 199
O mercado de trabalho em processo de estabilização
Hélio Zylberstajn
Professor sênior da FEA/USP e Coordenador do Projeto Salariômetro da Fipe

A face mais trágica de qualquer recessão é o inevitável aumento do desemprego. Em uma recessão longa como esta que vivemos – já são quase três anos de queda na atividade econômica - o quadro é particularmente mais triste e mais grave. O número de desempregados cresceu 113% desde o trimestre terminado em novembro/14 até o trimestre findo em maio/17. Neste longo período de 30 meses, passamos de 6,45 milhões para 13,8 milhões de pessoas à procura de trabalho. Será que processo de destruição de postos de trabalho vai continuar?
 
Para procurar uma resposta comparamos o desempenho do mercado de trabalho no primeiro semestre deste ano com o primeiro semestre do ano passado. O resultado é apresentado nos três gráficos a seguir.
 
No primeiro semestre dos dois anos, força de trabalho cresceu em dimensões parecidas. A força de trabalho é constituída pelas pessoas em idade de trabalhar e que estão ou ocupadas ou desocupadas e à procura de emprego. Nos dois semestres, o crescimento foi de aproximadamente 1,1 milhão. Mas há uma diferença importante entre os dois semestres, nas outras variáveis. Em 2016, a quantidade de pessoas ocupadas diminuiu em 1,4 milhões. A soma de novos trabalhadores chegando com a de trabalhadores perdendo seus empregos resultou em um aumento de 2,5 milhões de desempregados. O quadro em 2017 é bastante diferente: a quantidade de pessoas ocupadas permaneceu estável e o aumento no desemprego ocorreu apenas por causa da chegada dos novos trabalhadores (Gráfico 1).

 

 

Até o momento, havia duas fontes alimentando o desemprego: as demissões e o fluxo de novos trabalhadores chegando ao mercado. Parece que a primeira delas foi estancada.
 
Embora o nível de emprego agregado tenha se mantido entre os dois semestres, nota-se diferenças entre os semestres quando se observa o comportamento dos diversos setores de atividade. O caso mais destacado é o da Indústria: no primeiro semestre de 2016 este setor perdeu 706 mil empregos, e no primeiro semestre de 2017 criou 343 postos de trabalho. Este resultado é duplamente importante: primeiro, devido à magnitude da diferença observada, e segundo porque trata-se dos empregos ocupados por trabalhadores mais qualificados e de maior remuneração. Os demais setores também tiveram comportamento melhor em 2017, com exceção da Agricultura (Gráfico 2).



Se do ponto de vista quantitativo, o comportamento do mercado de trabalho no primeiro semestre de 2017 foi melhor do que no de 2016, o mesmo não se pode dizer sobre a qualidade dos postos de trabalho. Em 2016, houve redução na quantidade de portos de trabalho em todas as formas de inserção no mercado de trabalho, formais e informais. Já em 2017, continuou a haver perda de postos formais mas houve crescimento nos postos de trabalho informais. Houve um claro movimento de substituição de empregos formais por trabalho informal, nas suas diversas formas: empregados sem carteira, trabalhadores por conta própria, domésticos etc (Gráfico 3).



Em síntese, os dados da PNAD/IBGE indicam estabilização do nível de ocupação e na taxa de desemprego, clara recuperação do emprego na Indústria, tudo isso em meio ao crescimento da informalidade. O crescimento da informalidade tem um lado ruim, claro, porque são postos de trabalho de baixa qualidade. Por outro lado, porém, são pessoas que estão conseguindo colocar no mercado seus serviços e seus produtos, mesmo à margem da proteção trabalhista e previdenciária. No ano anterior, nem isso estava ocorrendo.
 
Aparentemente – e felizmente – parece que o pior já passou. 

 
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