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Agosto/2013 - edição 170
Desemprego de jovens: mensagens da Europa
Hélio Zylberstajn – FEA/USP
 
Entre os diversos grupos demográficos, o que apresenta maior propensão ao desemprego no mundo todo é o dos jovens. No Brasil não é diferente e o quadro abaixo mostra em números a dramaticidade da situação. O desemprego dos jovens entre 15 e 17 anos é 4 vezes maior que a média e o dos jovens entre 18 e 24 anos é 2,3 vezes maior que a média.
 
Na Europa, a situação dos jovens é muito preocupante, pois as taxas de desemprego são em geral extremamente elevadas e lá como aqui, as autoridades procuram soluções. Recente estudo comparou dois países europeus em situações opostas: Alemanha, onde a taxa de desemprego de jovens é de apenas 8% e a França, que tem 26% dos jovens desempregados. Os autores procuraram explicações para o contraste e concluíram que a diferença se origina nos respectivos sistemas de educação profissional. 
 
Segundo os autores, a Alemanha tem um sistema de ensino que proporciona simultaneamente educação geral, aprendizagem profissional teórica e treinamento em serviço. O jovem alemão frequenta a escola e trabalha em empresas como aprendiz, completando o ensino de sala de aula com a prática na fábrica ou no escritório. Enquanto estuda, é empregado-aprendiz em uma empresa, com contrato de trabalho de longa duração (3 ou 4 anos). Ao final do curso, 80% dos alunos estão em empregos estáveis e preparados para enfrentar a transição da escola para o trabalho. O ensino oferecido é de altíssima qualidade e o resultado é uma força de trabalho bem preparada e qualificada. O sistema tem uma governança tripartite, dele participando além das empresas, os sindicatos e o governo. Tendo voz na definição dos conteúdos e na distribuição dos recursos, os sindicatos percebem o benefício para os trabalhadores e aceitam salários relativamente baixos para os aprendizes, e isso representa um incentivo econômico para as empresas. Nada menos que 50% das empresas alemãs de todos os tamanhos participam do esquema e se beneficiam da possibilidade de formar seus próprios empregados desde o início da vida profissional.
 
Os autores observam que a França também tem um sistema que integra escola e trabalho, mas utiliza um processo de seleção baseado em um exame que mede o conhecimento acadêmico dos estudantes. Nem sempre os melhores do ponto de vista acadêmico são os mais aptos para a operação de máquinas ou para o trabalho em escritórios. O sistema não tem uma boa imagem porque não consegue “casar” trabalhadores com empregos desde o início. O resultado é que a maioria dos jovens franceses não está equipada para a transição da escola para o trabalho. Quando encontram emprego, não permanecem muito tempo. A rotatividade é grande e, consequentemente, os períodos de desemprego são frequentes, elevando as taxas de desocupação. Para completar os desincentivos, o Salário Mínimo na França é grande e cobre todos os trabalhadores, inclusive jovens aprendizes. Diante desse quadro, as empresas francesas não se inclinam para absorver jovens entre seus empregados, situação bastante diversa da alemã.
 
O texto de Cahuc e seus colegas permite extrair pelo menos duas mensagens. Primeiro, o Brasil está, infelizmente, mais próximo da França do que da Alemanha nos cuidados com a educação dos jovens e sua preparação para o mundo do trabalho. Nossas escolas estão a quilômetros de distância das empresas e do mundo do trabalho. Há muito que fazer nesta área. A outra mensagem pode ser dirigida aos profissionais do Direito do Trabalho: o texto resumido neste artigo mostra que o direito legal nem sempre é a melhor forma de proteção. Um sistema de ensino eficiente como o alemão protege mais que o Salário Mínimo francês.

 
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