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Abril/2014 - edição 178
Onde estão os jovens?
Hélio Zylberstajn – FEA/USP
 
Desde os primeiros anos deste século, antes ainda da eleição de Lula, a taxa de desemprego no Brasil começou a cair. A tendência se aprofundou ao longo da primeira década e continua até agora. O trabalho, que sempre foi um fator abundante na economia brasileira, se tornou escasso. As empresas hoje têm dificuldade para reter seus empregados e para recrutar novos trabalhadores. Por essa razão, mesmo com crescimento pífio do PIB, os salários não param de crescer. Preços crescentes indicam exatamente isso: escassez. Vale para o tomate, para alface e também para o trabalho.
 
Há duas possíveis causas para qualquer escassez: demanda crescendo muito ou oferta se retraindo. No caso do mercado de trabalho, as duas coisas aconteceram nos últimos 15 anos. De um lado, nossa economia se tornou mais intensiva em mão-de-obra: produzimos menos bens industriais e ampliamos as atividades de comércio e serviços, setores muito intensivos em trabalho. Isso explica a expansão das vagas mesmo com taxas pequenas de crescimento do produto.
 
Simultaneamente à expansão da demanda no mercado de trabalho, observamos retração na oferta. Em razão da intensa urbanização, as famílias brasileiras passaram a ter menos filhos nos últimos 20 ou 30 anos, a tal ponto que nossas taxas de crescimento demográfico são hoje semelhantes às de países desenvolvidos (ao redor de 1% ao ano). Com menos filhos nas famílias, a quantidade de jovens que chegam ao mercado de trabalho diminuiu.
 
Tudo isso pode ser concretamente observado nos dois gráficos abaixo, que cobrem o período dos 12 últimos anos (não é possível retroceder mais porque o IBGE alterou a metodologia da pesquisa a partir de março de 2002). No Gráfico 1, a linha azul representa a população de jovens de 18 a 24 anos, que encolheu de 5,8 milhões para 5,1 milhões (redução de 700 mil indivíduos). A linha vermelha representa a quantidade de jovens que participam do mercado de trabalho, a qual também se retraiu no mesmo período, passando de 4 milhões para 3,3 milhões (redução de 700 mil indivíduos, exatamente a mesma redução observada no total de jovens). Finalmente, a linha verde representa a quantidade de jovens ocupados. Esta linha se manteve aproximadamente constante no período (começou com 3 milhões e passou para 2,9 milhões). Em síntese, o Gráfico 1 mostra claramente a redução expressiva na oferta de trabalho jovem, que foi causada pela diminuição da população na faixa etária de 18 a 24 anos.
 
No Gráfico 2, a linha azul representa a proporção de jovens que participam do mercado de trabalho, a qual se manteve praticamente constante ao longo do período considerado, situando-se ao redor dos 70%. Esta linha indica que de cada 100 jovens, 70 estão no mercado de trabalho, seja efetivamente ocupados, seja procurando emprego. A linha vermelha do Gráfico 2 representa a proporção de jovens que participam do mercado de trabalho procurando emprego sem estarem ocupados. Este é o grupo dos desempregados, que em março/2002 eram 24% da força de trabalho e passaram para 12% em fevereiro/2014. Ou seja, a taxa de desemprego dos jovens caiu pela metade entre 2002 e 2014. Ainda é muito alta, mas caiu bastante. E porque caiu? Simplesmente porque há menos jovens. As empresas brasileiras empregam hoje a mesma quantidade de jovens que empregavam há 12 anos atrás. Mas, como hoje há menos jovens, há menos jovens desempregados.

 
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